domingo, 2 de maio de 2010

Ainda sobre a polêmica João Dantas e João Pessoa

Nós historiadores aprendemos na faculdade que em cada fato histórico produzido existe versões e versões. Não podemos dizer que essa história é a verdadeira e aquela outra é a falsa. Cada versão é construída para servir a alguma finalidade. Ou como dizem os nossos professores de história, as versões, a história, deve ser desconstruída, os monturos devem ser removidos, as versões cristalizadas pela história oficial devem ser questionadas.

Por exemplo, ainda existem no estado da Paraíba algumas sequelas do caso envolvendo o ex-presidente do estado, João Pessoa, e o então jornalista e advogado paraibano João Dantas. Minha intenção aqui não é trazer a tona o revanchismo não. É apenas mostrar um lado que a história oficial talvez não fale. Primeiro é importante deixar claro que a atitude de João Dantas foi desprezível, não se pode tirar a vida de um ser humano por causa de brigas pessoais. As coisas devem ser resolvidas de outra forma.

Porém, pesquisando sobre o assassinato de João Pessoa acontecido em julho de 1930, percebi que a história que se conta nas escolas paraibanas está faltando detalhes importantes para entendermos melhor o caso. Sempre foi passada uma visão romântica e heróica do episódio. Apesar de o João Dantas ter sido adversário político de João Pessoa, percebe-se que a motivação, se é que podemos utilizar este termo, do assassinato do então presidente da Paraíba, (na época chamava-se presidente e não governador) teria sido além do político. Eis uma versão da história:

Certo dia o João Dantas teve seu escritório invadido por policiais, supostamente a mando de João Pessoa, que estavam em busca de armas, pois João Dantas era acusado de ter participado da famosa Guerra de Princesa, um levante de coronéis da cidade de Princesa Isabel, os quais chegaram a declarar a nossa querida cidade sertaneja independente da Paraíba, por não concordarem com ações políticas adotadas pelo governo estadual. Durante a invasão os policiais acharam algumas cartas íntimas trocadas entre João Dantas e a professora e poetiza paraibana Anaíde Beiriz, e dias depois o conteúdo dessas cartas amorosas foi divulgado pelo jornal A União, de propriedade do governo estadual.

Após o João Dantas ter sido humilhado publicamente através da publicação dessas cartas íntimas que recebeu da professora Anaíde Beiriz, o jornalista foi se vingar de João Pessoa, o qual teria autorizado a publicação das cartas no jornal A União. E depois disso todos os paraibanos sabem o que aconteceu. João Dantas entrou na Confeitaria Glória, no Recife, onde João Pessoa estava, e disparou vários tiros contra o peito do então presidente da Paraíba, que morreu na hora.

O curioso é que João Dantas e o cunhado que o acompanhava, o Moreira Caldas, foram encontrados degolados meses depois, e outros aliados seus também foram assassinados, a exemplo do pai do escritor Ariano Suassuna, o ex-governador da Paraíba João Suassuna. Já a professora que tinha um caso amoroso com João Dantas, a jovem Anaíde Beiriz, foi encontrada morta em Recife, provavelmente envenenada, um suicídio, tinha 25 anos. E assim terminou o trágico episódio que teria começado pelas cartas de João Dantas, que teriam sido divulgadas pelo o outro João, o Pessoa. E aí fica algumas perguntas: Essa foi a causa do estopim da Revolução de 1930 no Brasil? Teria sido apenas uma motivação política? É pra ser pensado!
http://blogdojuniormiranda.blogspot.com/2009/08/joao-pessoa-versus-joao-dantas-os-joaos.html

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